terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Os CARIAS - sob outro prisma

O (in)fiel da balança, ou uma das desigualdades que discriminam a MULHER.

    Mas - perguntará quem lê - o que tem o fiel da balança a ver com os CARIAS?
    E eu respondo: - Tem tudo! Tudo e mais alguma coisa! 
 - Como assim? Insiste o leitor.
    Pois bem. Vamos tentar esmiuçar a questão, de forma a que todos fiquem elucidados e, se possível, convencidos.

    Em Portugal, a família CARIA reside, com alguma predominância, na zona da Beira Baixa, mais precisamente nas vilas de Caria e Belmonte. Nas zonas do Seixal e do Montijo, há uns certos Carias por lá espalhados, pouca coisa. No entanto, no concelho do Cartaxo, existem muitas famílias com o sobrenome Caria, como a minha e não só, em Vale da Pinta.           Na cidade do Cartaxo, propriamente dita, também haverá um razoável número de Carias, mas nas restantes povoações do concelho, julgo não haver assim tantos.

    Já tenho pensado se os Casais de Alcaria, em Pontével, têm alguma raiz histórica que esteja relacionada com o apelido em causa, mas nunca aprofundei a questão. Mas vamos ao cerne do problema, cujo subtítulo pode intrigar.
    Desde tempos muito remotos, na maior parte das civilizações, o estatuto da mulher era, pelo menos, secundário. Como se sabe, na nossa Europa o padrão vigente ao longo de muitos séculos, conferia um estatuto de menoridade à mulher. Porém, desde os meados do século passado, deu-se uma transformação na sociedade, as coisas foram evoluindo de tal modo até aos nossos dias, que, pode dizer-se, a diferenciação, embora ainda exista, já não está assim tão distante. Por exemplo, em termos de cargos de diretorias empresariais, as mulheres já ocupam um espaço bastante considerável. Há já alguns campos em que a mulher se superiorizou ao homem, tanto na vertente positiva, como na perniciosa. Se à primeira podemos atribuir o número de matrículas e licenciaturas no ensino superior, também é verdade que, no que toca à beberrice de Bar e ao consumo inveterado de cigarros, elas tiveram uma ascensão vertiginosa.   No entanto, como mostra a figura, o fiel da balança ainda está algo desiquilibrado. 
    Ora o que me traz aqui hoje é, precisamente, para denunciar um aspeto onde as mulheres continuam a sofrer de uma desigualdade atroz e nem sequer dão por isso. Ou se já deram, não se manifestaram, por enquanto. De que se trata, então? Tem a ver com o subtítulo deste artigo, onde entram os apelidos que, quaisquer que eles sejam, continuam com a tendência de registo a manter o sobrenome do pai, na sequência do avô, e a omitir o da mãe, na sequência do da avó. A rapaziada ainda se safa, conservando-o, mas as coitadas das raparigas, são despojadas daquele seu bem que, a meu ver, não lhes devia ser sonegado.
     Vamos a um exemplo: uma menina vai chamar-se Patrocínia da Cunha Velho; quando casar e tiver um filho, ele vai ser Felisberto Velho Sepúlveda (o Cunha já se foi); este, por sua vez, dá o nome de Francelino Raposo Sepúlveda ao seu filho que, entretanto, já deixou o apelido Velho, que era da sua avó, mas manteve o do avô. A Patrocínia também teve uma filha e pôs-lhe Marcolina Velho Sepúlveda; esta teve uma filha, a Adozinda Sepúlveda Catroga, onde os apelidos da Patrocínia já se foram. E, assim, acaba uma dinastia feminina.
   Mas atenção, porque ainda há o caso daquelas que, adotando o apelido do marido, mais apressam o sumiço dos seus apelidos.
Ora, porque raio me terei lembrado de vir aqui expor estas situações? É simples. Tenho três netas (2 irmãs + 1só), de cujos nomes já foram varridos os apelidos iniciais da avô Luísa Parente Duarte. Quando duas destas minha netas forem mães, vão dar os apelidos de Caria e de XPTO aos filhos, mas os seus netos já não sabem do Caria. A outra neta, que tem os apelidos de Caria Monteiro, vai batizar os filhos com os apelidos de Monteiro e XPTO. De Caria, nem sombra. Quero com isto dizer que, se ninguém destas minhas descendentes e suas sequentes, se lembrar de enveredar por uma linha ducal, condal ou real, de modo a guardar para si um acumular de apelidos a rondar a dezena, pelo menos, então eu, a curtíssimo prazo, deixo de constar nos anais da história familiar e lá se vai o Caria p'ró caraças.
      O que poderão elas, as mulheres, fazer para evitar tal catástrofe? É reinvindicarem que os seus apelidos prossigam e se conservem ao longo dos tempos. É fácil.

      Pelo que acabo de expor, vejam lá se valeu a pena estas figuras, estas gerações abaixo descritas, terem dado o corpo ao manifesto, em tantas guerras e guerrilhas, para que tudo se desmorone como um baralho de cartas.


Mas, já agora, se estão com tempo e paciência, leiam este pedaço de História documental dos CARIAS. 



Há muitos séculos atrás. HISTÓRIA E GENEALOGIA DA FAMÍLIA CARIA. Rima e é verdade.


     Uma família de história multimilenar,  que merece ser contada e lembrada. História de reis, conquistas e lutas. Histórias e sonhos que fizeram a diferença na História, porque os Carias foram, e serão sempre, uns lutadores e sonhadores.


                                                                      CARIA:

    
     Este sobrenome remonta de uma região da GRÉCIA denominada de "KARYA". Na ENCICLOPÉDIA STORICO NOBILIARI ITALIANA, do VITTORIO SPRETTI, são dedicadas três páginas à família CARIA e suas variações, tais como: CARIAS, CARIASI, DE CARIA, DE CARIAS e CARIATI, sendo que este último deriva do grego KARYÁTIDOS. Estas são variações em torno de uma só família, que em Itália teve início no ano de 1345, na Calábria. Posteriormente, passou ao norte de Itália, na Lombardia.

     É encontrado um PIETRO CARIA no ano de 1537 na cidade de Lecco que, mais tarde, se chamou ERMETO CARIA. Em 1678, senhor feudal com estandarte e cores próprias, membro do Conselho da Comunidade.


     Esta família ramificou-se até à zona norte de Itália, onde é encontrada nas cidades de Milão, Génova, Turim, Veneza, Pádua e Verona. Em Portugal, D. ANTÓNIO CARI e seus descendentes usaram o mesmo BRASÃO da família CARIA de Itália.


     Pesquisas efetuadas a eras distantes, referem que houve nos Helenos (gregos) um chefe de armas chamado KAR. É curioso que, na língua Anatolian, a palavra CARIA quer dizer o CHEFE, o SABEDOR, o HOMEM FORTE. Na Grécia antiga, o nome de CARIA era aplicado a toda a zona habitada por CARIANS e, no grego antigo, tinha o nome de KAPIA KARIA. Aliás, os CARIANS foram, com toda a certeza, os KARKIANS mencionados nas Tabuletas Hititas, pois existe uma relação íntima entre CARIA-CRETA e ILHAS GREGAS.


     Os CARIANS tinham uma linguagem própria ainda não decifrada. A história desta família é repleta de conquistas e lutas. Incluem reinos, castelos, brasões reais e a construção de uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo: O MAUSOLEU de HALICARNASSUS, construido na região de CARIA, hoje a atual Turquia.


     De acordo com HOMERO (oitavo século antes de Cristo), os CARIANS chegaram e povoaram a região da Ásia Menor, nas imediações de Miletus, o vale do Meander, o Mycale e as montanhas de Phithirian.


     Foram, ainda, mencionados como aliados da GUERRA de TROIA. Vale a pena recordar textos que atestam que HERODOTUS (484-425 A. C.) nasceu em HALICARNASSUS e era de origem CARIAN. Aliás, os CARIANS eram muito considerados pelo REI MINOS, devido às suas habilidades como marinheiros. Eram destemidos, aventureiros e hábeis a lidar com o mar. Tinham, portanto, todas as características para realizarem conquistas, por isso o fizeram. Os CARIANS não aceitavam domínio de terceiros e prezavam a liberdade. Eles lutaram, durante séculos, nas muitas guerras entre os Impérios Persa e Bizantino.


     De acordo com TRUCYDIDES, um historiador ateniense (460-396 A. C.), diz que os CARIANS conquistaram e habitaram as ilhas gregas e as pertencentes à Ásia Menor. O REI MINOS determinou que os CARIANS ocupassem o continente e lá estabelecessem o "Território Pirata".


     Em tempos pré-históricos a maioria das ILHAS AEGEAN tinham sido conquistadas e habitadas pelos CARIANS.


    A história de CARIA já vem de longe. Antes, até, do século V, antes de Cristo.    


    Como acima referi, em Portugal, a família CARIA reside, com alguma predominância, na zona da Beira Baixa, mais precisamente nas vilas de Caria e Belmonte. Também no concelho do Cartaxo existem numerosas famílias com o sobrenome CARIA, como a minha, em Vale da Pinta.

    Depois vêm alguns ignorantes, de outras zonas do país, a não saberem sequer pronunciar o nome CARIA. Eles chamam Cária, eles chamam Cárias, eles até Zacarias me têm chamado!... Veja-se o grau de desconhecimento dessa gente! Mas não se julgue que essa obscuridade apenas provém de gente menos letrada! Não. A estes eu ainda desculpo, já o mesmo não sucedeu quando, por inúmeras vezes, em organismos públicos, me vi confrontado com funcionários que me tratavam por Cária. Como é evidente, de cada vez que isso acontece, tenho que lhes perguntar se, por exemplo, eles escrevem ou pronunciam o nome "Mária" em vez de "Maria".  Sei que não gostam do meu reparo, mas têm que o engolir, mesmo em seco.

     Um abraço a todos os "CARIA" que, por esse Mundo, labutam, lutam e vivem, tal como no antigamente.

2 comentários:

  1. Gostei muito do seu artigo pois é sempre bom saber as nossas origens, neste caso do apelido "Caria".
    Ainda à dias me questionaram se era alguma coisa aos condes de Caria que viviam no Porto!
    E tal como o Srº, também sou PA.
    Um abraço de um Caria natural de Vale da Pinta, mas a residir em Pontével.

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    1. Olá, Fernando! Eu sabia que eras da P.A., pois eu tenho acompanhado o site deles. Eu fui da P.A. entre 1964 e 1966 e até dei duas recrutas aos especialistas, na Ota. Já lá vão uns anitos. Obrigado po teres gostado de ler o artigo sobre os Carias, apelido que é raro aqui no Norte. Eu penso que és filho do Zé Crespo, não é verdade? Se sim, o teu avô Francisco era primo direito do meu sogro João da Leopoldina, que era de Pontével, casado em Vale da Pinta. Um abraço e um Bom Ano de 2015, para ti e para os teus.

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